5 autoras negras que você precisa conhecer

5 autoras negras que você precisa conhecer

Instituído como data para homenagear Zumbi dos Palmares pela Lei Federal 12.519/2011, o Dia da Consciência Negra não é um feriado nacional. Alguns estados, como Mato Grosso e Rio de Janeiro criaram leis estaduais que instituem o 20 de novembro como feriados estaduais, mas na maioria do país a data não é celebrada, somando apenas 1045 cidades, do total de 5570. Seria isso um indício de racismo? Fica a reflexão, e por isso resolvi trazer hoje uma lista com 5 autoras negras que você precisa ler, pra entender um pouco mais a história de subjugação desse povo em diversas partes do mundo, mas principalmente no Brasil. 

1 – Conceição Evaristo

Conceição Evaristo em sessão de autógrafos na Flip 2017, após mesa de encerramento do evento.

Maria da Conceição Evaristo de Brito é mineira de Belo Horizonte, nascida em 1946. É graduada em Letras pela UFRJ, mestre em Literatura Brasileira pela PUC RJ e doutora em Literatura Comparada pela UFF. Conceição Evaristo é participante ativa dos movimentos de valorização da cultura negra no Brasil, tendo estreado na literatura em 1990, quando passou a publicar contos e poemas na série Cadernos Negros. 

Seu primeiro romance, Ponciá Vicêncio, de 2003, já aparece na lista de diversos vestibulares e tem sido objeto de estudo em em artigos acadêmicos e dissertações. Em 2014, publicou Olhos D’água, finalista do Prêmio Jabuti na categoria “Contos e Crônicas” naquele ano. Sua obra, composta de romances, contos, poemas e ensaios, traz como temática central a denúncia da condição social dos afrodescendentes e as relações de gênero num contexto social marcado pelo racismo e pelo sexismo. 

2 – Chimamanda NGozi Adichie

Escritora nigeriana, nascida em 1977, Chimamanda publicou seu primeiro romance aos 26 anos, em 2003: Hibisco Roxo, que venceu o Prêmio Commonwealth Writers como Melhor Primeiro Livro, em 2005. O segundo, Meio sol amarelo, publicou em 2006, lhe rendendo o Orange Prize. Com Americanah recebeu o o National Book Critics Circle Award, em 2013.  

Ficou bastante famosa por suas palestras no TED. A primeira delas, em 2009, intitulada “O perigo de uma história única“, alerta sobre os esteriótipos e perigos de ouvir apenas um lado de uma história, seja de uma pessoa ou de um país. “Sejamos todos feministas” foi o tema de uma palestra em 2012, e tamanha foi sua importância que vários trechos de seu discurso aparecem na música Flawless, da Beyoncé. O discurso foi editado em formato de livro, que depois ganhou uma continuação: “Para educar crianças feministas”, um livro-carta escrito a uma amiga. 

Se você nunca viu nenhum vídeo dessas conferências, aproveite. Se você já viu, veja de novo!

 

3 – Carolina Maria de Jesus

Nascida em Sacramento (MG), em 1913, Carolina foi cozinheira, empregada doméstica, catadora de lixo e passou fome. Retrato comum da população que mora até hoje em favelas de todo o Brasil. Estudou no Colégio Allan Kardec entre 1923 e 1924. Passou por Franca, interior de São Paulo, mudou-se para a capital em 1947 e já reunia em cadernos depoimentos e descrições do cotidiano das comunidades, em contos e poesias. Um desses cadernos foi publicado em 1958 pelo grupo Folha de S.Paulo e, em 1959, pela revista O Cruzeiro. Em 1960 publicou Quarto de despejo, que logo de cara teve 3 edições e 100 mil exemplares vendidos, sendo traduzido para 14 idiomas e lançado em 40 países. 

Foto do acervo do Geledés

Também arriscou-se na música, quando em 1961 lançou um disco com o mesmo título de seu primeiro livro, com 12 canções de sua autoria. Teve outros livros publicados, como Pedaços de Fome (1963) e Diário de Bitita (1977), mas Quarto de Despejo é sua obra mais conhecida, até pedida em vestibulares. 

4 – Scholastique Mukasonga

Radicada na França desde 1992, Scholastique Mukasonga nasceu em Ruanda, em 1956. Ela é sobrevivente do genocídio aos tutsis, que dizimou cerca de 1 milhão de pessoas em cem dias, tendo fugido com seu irmão para o Burundi quando sua família foi morta. A assistente social se tornou escritora após compreender que seu papel era retratar o horror que pairava sobre as pessoas de sua etnia, a miséria, a humilhação e o medo, além de preservar a memória de seu povo. 

Possui 9 títulos lançados, mas seus livros só foram publicados no Brasil  em 2017, pela Editora Nós, na FLIP daquele ano: Nossa Senhora do Nilo, vencedor do prêmio francês Renaudot em 2012, e A mulher de pés descalços, lançado em 2008. 

5 – Ana Maria Gonçalves

Ana Maria Gonçalves mediou a mesa de encerramento da FLIP 2017, num bate-papo com Conceição Evaristo.

Mineira nascida em Ibiá em 1970, Ana Maria Gonçalves publicou seu primeiro livro em 2002, Ao lado e à margem do que sentes por mim. É uma escritora bastante atuante nos debates públicos que envolvem questões étnicas no Brasil, com visão crítica quanto às relações sociais e solidariedade com os as camadas mais vulneráveis da população. 

Premiado com o Casa de Las Américas como melhor romance de 2006, o tijolaço Um defeito de cor é o livro mais conhecido de Ana Maria Gonçalves. Ela conta em mais de 900 páginas a história de Kehinde, nascida no Benin (atual Daomé), desde sua escravização aos oito anos de idade, até seu retorno à África como mulher livre, décadas mais tarde, porém sem seu filho, vendido pelo próprio pai para saldar uma dívida de jogo. A autora traz um romance pós-moderno de metaficção historiográfica, resgatando as biografias de Luiza Mahin (heroína do Levante dos Malês, ocorrido em Salvador em 1835) e do poeta Luiz Gama, que foi vendido por seu próprio pai. Seu terceiro livro, Quem é Josenildo?, deve ser lançado pela Editora Record em breve. 

 

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