A Divina Comédia

A Divina Comédia

18/07/2016 0 Por admin

A Divina Comédia, de Dante Alighieri, deve ser um dos livros mais lidos do mundo, já que está aí desde meados do século XVI – alguns dados indicam 1321. Se para nós reles mortais já é difícil ler um livro mais antigo no nosso próprio idioma materno, imagine a tradução de um poema épico que tem quase 700 anos?

A Divina Comédia

A Divina Comédia, de Dante Alighieri – Box da Editora 34

O livro é na verdade uma trilogia: Inferno, Purgatório e Paraíso. O escritor Dante é o protagonista da obra e visita os três. O livro é escrito durante o exílio de Dante e começa justamente com nosso autor-personagem perdido em uma floresta. Ele encontra o poeta Virgílio (autor da Eneida), que será seu guia – lembremos que nas obras do Renascimento existe esse culto aos clássicos.

A Divina Comédia é basicamente uma crítica social baseada na moral cristã. Em sua viagem, Dante encontra muitas figuras de sua época e anteriores a ela sofrendo as consequências dos atos que praticaram durante suas vidas, tanto membros da Igreja Católica quanto reis, príncipes, e outras figuras históricas. Por causa disso, a leitura não é nada fácil. É cheia de notas de rodapé para explicar cada nome que aparece na narrativa e as referências a batalhas e disputas políticas. A partir de um certo círculo do Purgatório, Virgílio não pode mais guiar Dante, por ser pagão. Quem o substitui na tarefa é a amada de Dante e sua musa inspiradora, Beatriz.

Círculos

Tanto o Inferno, quanto o Purgatório e o Paraíso são construídos em círculos concêntricos. Os nove círculos do Inferno descem até o núcleo da Terra, e os castigos recebidos são piores quanto mais fundo o círculo. Os sete círculos do Purgatório estão em uma alta montanha na própria Terra, que surge no mar no hemisfério austral (sul). Subindo estes círculos chega-se aos nove círculos do Paraíso, ou céus, depois ao Empíreo, à Rosa dos Beatos e aos Nove Círculos Angélicos.

Estrutura do poema

Cada livro possui 33 cantos – o Inferno possui 34 – com mais de cem versos cada. O esquema de rimas é a terza rima: ABA BCB CDC, etc. Nessa edição, o tradutor procurou manter o esquema de rimas do poema original, o que merece um crédito enorme, pois levou 15 anos pra ser feito. O tradutor Italo Eugenio Mauro recebeu em 2000 o Prêmio Jabuti de Tradução por esse trabalho, publicado inicialmente em 1998.

Minha edição é bilíngue, italiano-português. Não sei se todas são. Estudei italiano por alguns anos, então arrisquei dar umas espiadas no texto original. Alguns trechos eram fáceis de entender, outros totalmente incompreensíveis, com palavras escritas de maneira diferente, e outras construções que hoje não são usadas…

Dante foi o primeiro a escrever em italiano, já que as obras até então eram escritas todas em latim. O italiano era considerado vulgar e inculto. Esse idioma era o dialeto florentino (de Florença), que se tornou o padrão e é o mais aproximado do italiano atual.

Como consegui

Bom, foi daquelas vezes em que bati o olho no box na livraria e tive que levar. O único problema foi que ele ficou alguns anos na minha prateleira esperando ser lido. E, claro, eu deveria ter feito isso antes.

Nota: 8, pela trabalheira e por ter sobrevivido tanto tempo

Ficha:
A Divina Comédia
– Dante Alighieri
Editora 34
Ano: 2010 (2a edição)
Páginas: 690

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