Artistas, músicos e poetas participam do Sarau de Resistência no próximo sábado

Artistas, músicos e poetas participam do Sarau de Resistência no próximo sábado

No dia 17 de novembro o Taliesyn Rock Bar, no centro de Floripa, recebe artistas, músicos e poetas no Sarau de Resistência. O evento começa às 15h e terá apresentação de dez poetas e músicos, além de participação do coletivo Alcateia de contadoras de histórias, que faz sua estreia. O evento é gratuito e o palco é aberto para quem quiser se apresentar.

A ideia é promover a cooperação social por meio da democratização das artes e do conhecimento. “Quando nos
deparamos com um período político onde a verticalização das relações acaba por oprimir determinadas vozes, precisamos, como sujeitos em resistência, rearranjar outras maneiras de articulações sociais e políticas em prol da segurança do desenvolvimento e da manutenção da paz e dos direitos cidadãos”, diz a organizadora Juliana Impaléa, que é compositora, produtora cultural e professora.

Desenho da tatuadora mineira Thereza Nardelli viralizou nas redes sociais após os resultados das eleições presidenciais.

O movimento surge como uma vertente do Sarau Boca de Cena, projeto da UFSC idealizado por Juliana Impaléa e Flavia Desor, em 2005, quando eram graduandas, respectivamente, do curso de Língua e Literaturas em  Português e Letras em Alemão. De 2007 a 2014, ano em que concluíram suas trajetórias acadêmicas, o Boca de Cena foi um projeto de extensão que teve apoio da SecArte. “O Sarau Boca de Cena ressurge em Resistência, por perceber a necessidade que os artistas e a própria população têm em dialogar neste momento de autoritarismo e conservadorismo prejudicial. A Arte nos convida a retomar nossos sonhos, a nos auto avaliarmos enquanto agentes de transformação social e angariar força coletiva para que possamos desviar do golpe, afastar o medo da intolerância, abraçando a riqueza que é nossa diversidade e nossa cultura”, diz Juliana.

“A resistência se faz necessária para que não nos percamos em meio ao discurso cruel das propagandas e clichês”, lembra a organizadora do sarau. O slogan “Ninguém solta a mão de ninguém”, criado nos tempos da ditadura num dos centros acadêmicos da USP, retorna para nos atentar à necessidade de proteção mútua, de contato com a criatividade, de diálogos e construção de ações que nos façam resistir, garantindo nossos direitos e
cidadania.

Kit Ler

A organização também está incentivando os participantes a levarem livros para doar e trocar, iniciativa nomeada de Kit Ler, um nome irônico para combater a falácia do Kit Gay, notícia falsa amplamente disseminada durante as eleições de 2018. “A propaganda do KIT Gay não agiu de má fé apenas com a Educação e com os seus profissionais, mas, por ferocidade e ignorância, acaba expondo os nossos jovens aos perigos da desinformação. Se eles distribuem violência e mentira, nós puxamos nossas luvas de pelica e devolvemos com literatura, leitura, diálogos e
erudição”, afirma a organizadora.

O projeto Escola sem Homofobia, criado em 2004, era voltado à formação de educadores e não tinha previsão de distribuição de material para alunos. Ele fazia parte do programa Brasil sem Homofobia, que não chegou a ser colocado em prática. “Sou professora há cerca de dez anos, lecionando para os ensinos fundamental, médio e para o curso de Magistério, formando professores e professoras do ensino infantil e básico. Nunca recebemos nenhum Kit similar. Sabemos, sim, da necessidade de debater em sala temas como orientação sexual e sexualidade. Tais temáticas fazem parte dos temas transversais da Educação, nunca para expôr o aluno, mas, sim, para protegê-lo e elucidá-lo sobre questões inerentes à vida”, conta Juliana.  Estudos comprovam que adolescentes que têm aulas sobre sexualidade iniciam sua vida sexual mais tardiamente, protegendo-os da gravidez na adolescência e de doenças sexualmente transmissíveis, além de poderem se proteger contra abusos e assédios, sabendo identificá-los.

“Em períodos de elogio à barbárie e de violência, as figuras de linguagem são dispositivos ideais para expressar o sentimento de injustiça e indignação a que nos expuseram quando disseminaram a farsa do Kit Gay. A ironia surge
para que, ao invés de lamentarmos a bestialidade, possamos rir da ignorância a que fomos submetidos”, explica a professora.

O QUE: Sarau de Resistência
ONDE: Taliesyn Rock Bar – R Victor Meirelles, 112, Centro
QUANDO: 17 de novembro, 15h
QUANTO: Gratuito

 

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