Entrevista: Luciana Bertoldo

Entrevista: Luciana Bertoldo

31/07/2016 2 Por admin

Autora do livro Baioneta Calada, Luciana Bertoldo é advogada e natural de Ijuí (RS). Reside na Grande Florianópolis há 21 anos, parte deles na capital e atualmente em Santo Amaro da Imperatriz. Escreve desde a adolescência, mas manteve e mantém muitos de seus textos guardados. Ela diz que não possui uma rotina de escrita e escreve quando as ideias surgem, muitas vezes do nada.

Em seu único livro publicado ela conta a história de seu pai, Genir Bertoldo, operário em Ijuí, que foi preso durante a ditadura militar. Ele era membro de um sindicato local para crescer como pessoa e buscar melhores oportunidades, fazendo os trabalhadores terem conhecimento das injustiças praticadas contra eles, atitudes consideradas subversivas.

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Jéssica Trombini- O que te motivou a escrever sobre a história de seu pai?
Luciana Bertoldo- Essa história nunca havia sido contada, nem mesmo dentro da nossa família. Era uma coisa que trazia lembranças muitos ruins e que já tinha causado muitos danos. Mas quando meus pais me contaram, eu me interessei e tive vontade de colocar para fora. Minha mãe não era muito favorável em conta-la, mas meu pai se interessou em contar os fatos e eu gravei tudo que ele me contou.

JT – Em que momento você decidiu que transformaria a história dele em livro?
LB- Desde o primeiro momento em que eu descobri essa história decidi colocar em livro, mas não sabia como, pois não era profissional dessa área. Procurei editoras e fiz um livro independente. Também foi de uma maneira despretensiosa que o publiquei, queria apenas registrar, pois nem mesmo em Ijuí as pessoas a conheciam. Era uma história esquecida.

Nota: alguns colégios da região de Ijuí incluíram Baioneta Calada entre as obras obrigatórias aos alunos de Ensino Médio, para falar sobre a Ditadura Militar. Luciana já deu palestras sobre o livro nesses locais e em feiras literárias no Rio Grande do Sul.
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Foto: Acervo pessoal da escritora

JT- Por que é importante relatar as situações pelas quais passaram presos políticos durante a ditadura?
LB – Os presos políticos da época tiveram todo o caminho de uma vida afetada. O que aconteceu com meu pai afetou a família toda, muito convívio conosco foi evitado e muitas portas se fecharam. Ser comunista era uma coisa muito negativa. Mas na verdade não era isso, meu pai era operário e lutava por seus diretos, que só depois de muito tempo foram conquistados. A ditadura foi avassaladora e transformou a vida de todos que se envolveram nela e com ela. Ter escrito esse livro ajudou meu pai a se fortalecer e valorizar sua história, ter orgulho dela. Hoje ele diz que não faria nada diferente.

 

JT – Você pretende publicar outras obras?
LB – Sim, já estou com um bom material de crônicas, mas com um rumo totalmente diferente do primeiro livro. Esses textos são mais voltados às questões femininas e relações afetivas.

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