Entrevista: Valéria Piassa Polizzi

Entrevista: Valéria Piassa Polizzi

09/02/2017 3 Por admin

O livro Depois daquela Viagem completa 20 anos em 2017. Bastante famoso entre adolescentes e jovens desde que foi lançado, é uma autobiografia de Valéria Piassa Polizzi, que descobriu em 1988, aos 18 anos de idade, que era portadora do vírus da AIDS. Numa época em que ter a doença era sinônimo de morte (a expectativa de vida de pacientes com HIV era de dez anos), ainda muito rara em mulheres, e havendo pouca informação a respeito, Valéria decidiu contar sua experiência e alertar os jovens sobre o uso da camisinha. Conversei brevemente com a Valéria, dá uma olhada!

Jéssica – Esse ano faz 20 anos do lançamento de Depois daquela Viagem. O que mudou nesse tempo em relação à educação sexual dos jovens e às informações sobre a AIDS?
Valéria Polizzi – A informação está chegando mais rápido, os jovens têm muito acesso à internet, por exemplo, e podem pesquisar o assunto que quiser. Algumas escolas implantaram a educação sexual contínua em seus currículos, o que é excelente. Mas infelizmente ainda não são todas. Há informação, todo mundo sabe como se contrai o HIV ou outra DST, mas não usam o preservativo. Parece que as pessoas deram uma relaxada na prevenção. Por isso nos últimos anos aumentou o número de jovens se infectando.
Como o HIV/aids é hoje tratada como uma doença crônica, as pessoas acham que é fácil encarar. O que gosto de deixar claro é que viver com qualquer doença crônica requer muitos cuidados, tratamento constante, medicação que gera efeitos colaterais…. Enfim, muito estresse, que se a gente puder prevenir, melhor.

J – Como você decidiu escrever esse depois-daquela-viagem-valerialivro e como foi o processo de colocar no papel todo o seu sentimento?
VP – Decidi escrever o Depois daquela viagem por causa da falta de informação e sensibilização da época. As pessoas achavam que quem tinha a doença era algum monstro. E que se infectar só aconteceria com promíscuos. Quis mostrar que podia acontecer com qualquer um e como era e pensava uma pessoa que vivia com o vírus.
Colocar tudo isso no papel me fez muito bem. Foi como uma catarse. E depois com o livro publicado pude dar palestras em diversas escolas e empresas desmistificando a AIDS. Saber que meu livro é adotado até hoje em escolas de todo Brasil e América Latina.

J – Por onde anda Valéria Polizzi e como ela vive hoje?
VP – Fiz muita coisa nesses vinte anos. Viajei o Brasil e o México dando palestras, me formei em jornalismo, fiz pós graduação, me casei, separei, morei na Europa por uns anos…
Ano passado me formei em instrutora de Mindfulness, que é uma técnica de meditação para promoção da saúde. Atualmente sou colaboradora do Centro Mente Aberta da UNIFESP, onde oferecemos programas gratuitos de Mindfulness aos usuários do SUS, a profissionais da saúde e policiais. Meu sonho, agora, é em breve oferecer também o programa a professores da rede pública de Santo Amaro, o bairro onde atendemos em São Paulo.

Papo sério!

Depois daquela Viagem veio parar nas minhas mãos porque o encontrei surrado e velhinho numa estante de troca de livros em uma padaria aqui de Floripa. Apesar de o livro falar principalmente para adolescentes, é importante a conscientização também na fase adulta, porque continua sendo absurda a quantidade de gente por aí que não usa e insiste em não usar preservativo! Doença não tem cara. É bom se prevenir, certo?

Ficha Técnica

Título: Depois Daquela Viagem – Valéria Piassa Polizzi
Ano: 1997
Páginas: 288
Editora: Ática

 

Foto de destaque:  Eduardo Enomoto – Portal R7

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