Nascidos para perder

Nascidos para perder

23/07/2016 0 Por admin

A intenção do autor Mylton Severiano com esse livro era provar a tese de que o jornal O Estado de São Paulo sempre apoiou candidatos que perderam eleições presidenciais, o que demonstraria que a publicação e seus donos sempre estiveram contra o povo. Sendo um jornal bastante conservador (como grande parte da mídia brasileira), não é de se esperar algo muito diferente.

Além da teoria levantada, esse livro conta muitos outros “podres” de bastidores do Estadão, como duas negociações duvidosas com o governo quando o jornal estava cheio de dívidas.  Uma delas foi em 1942, quando o jornal foi vendido ao governo do estado da SP por um valor muito superior ao que realmente valia, e a outra em 1980, quando o governo vendeu o jornal novamente à família Mesquita. Nessa parte, inclusive, o autor reproduziu na íntegra as duas escrituras públicas, ocupando bem umas dez páginas…

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Em alguns momentos fiquei achando que era um ataque gratuito à família Mesquita, dona do jornal, pois há vocabulário ofensivo e insinuações problemáticas. Alguns causos contados também não têm nada a ver com a tese, como o urubu que entrou na redação,  a biografia de Machado de Assis que perdeu o Prêmio Jabuti por suas inconsistências (do jornalista de Cultura Daniel Piza) e a cobertura de um assalto a banco que o editor já sabia que iria acontecer.

Nascidos para perder tinha tudo para ser um livro interessantíssimo e de uma riqueza de informações muito grande, porém acho que o autor não conseguiu organizar o conteúdo. Eu tenho a impressão de que ficaria muito melhor se ele contasse os fatos em ordem cronológica, mas, assim como no Realidade: a história da revista que virou lenda, ele contou de acordo com seu fluxo de memórias. Em vários momentos ele conta sobre 1940, pula para 1970, e volta para 1940. Isso torna o livro confuso.

20160723_132648É claro que o livro tem seus méritos, reproduções de entrevistas interessantes, a sustentação da tese em detalhes em quase todos os casos, e a parte sobre ter perdido espaço para a Folha de São Paulo.

Detalhe

Eu comecei a ler logo que foi lançado, mas abandonei nos primeiros capítulos porque achei maçante. Ficou lá na prateleira todo esse tempo, até que fiz uma entrevista com o autor para o meu TCC em 2014 e levei meu exemplar para que ele autografasse. Ainda ficou lá mais dois anos, até que resolvi dar outra chance. Mas dessa vez fui até o final.

Nota: 5.

Ficha: Nascidos para perderMylton Severiano
Editora Insular
Ano: 2012
279 páginas

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