O Atlas da Terra-Média

03/08/2015 1 Por admin

O Atlas da Terra-Média não é apenas uma mera obra de referência. Considero que é fundamental para a leitura do Silmarillion. E por quê? Todo mundo diz que o Silmarillion é complicado e confuso, e na verdade antes de lê-lo eu me apavorei por ver que 90% das pessoas diziam/dizem isso. Esse livro facilitou infinitamente a minha leitura, porque ali é possível visualizar e entender as mudanças que ocorreram em Arda ao longo das Eras.

Em diversas partes, Karen Fonstad desenvolve seus mapas em paralelo a um resumo das ações dos personagens (os mapas de guerras e migrações são realmente fantásticos). Isso traz clareza à narrativa, principalmente quanto às alterações ao longo das Eras, como o afundamento de Beleriand e o afastamento de Valinor da Terra-Média.

Essas mudanças nem sempre são perceptíveis aos leitores, e aliás, a maioria usa um mapa completamente anacrônico, que abrange todas as Eras.

Mapa errado de Arda. Reparem que Númenor (2a Era), as Lâmpadas dos Valar (Dias Antigos), Beleriand (Primeira Era) e Mordor (3a Era) NÃO PODEM existir ao mesmo tempo. NUNCA, jamais, usem esse mapa. Tolkien rola em seu túmulo cada vez que alguém o consulta.

Mapa errado de Arda. Reparem que Númenor (2a Era), as Lâmpadas dos Valar (Dias Antigos), Beleriand (Primeira Era) e Mordor (3a Era) NÃO PODEM existir ao mesmo tempo. NUNCA, jamais, usem esse mapa. Tolkien rola em seu túmulo cada vez que alguém o consulta.

Arda passou por mudanças profundas que marcam o fim de uma Era e o início de outra, e pra mim é quase uma heresia desrespeitar isso ou simplesmente ignorar. Até mesmo os fatores sobrenaturais são levados em conta nas alterações, a fim de preservar o que Tolkien chama de “consistência interna da realidade”.

A maestria com que Karen Fonstad capta as indicações de relevo, vegetação e clima dispersos nas principais obras de Tolkien mostra seu olhar diferenciado em relação ao de um fã leigo em assunto de geografia, e abre o nosso olhar para percebê-los também.

Esses elementos não aparecem na obra por mero capricho de Tolkien ou enfeite, já que influenciam diretamente no desenrolar de suas histórias: na lentidão ou rapidez com que os personagens atravessam a Terra-Média em suas aventuras, além da presença, em determinados locais, das várias raças, culturas e idiomas que formam sua obra. Foram justamente essas dicas que possibilitaram a análise do ambiente em que ele inseria seus personagens, e mostram que Tolkien também tinha algum (ou muito) conhecimento de geografia.

Karen Wynn Fonstad era cartógrafa e publicou a primeira edição do Atlas da Terra-Média em 1981. Na época ainda não tinha sido lançado a History of Middle Earth para que ela pudesse usar de parâmetro: Karen usou somente os mapas de Tolkien e seus escritos. Depois, em 1991, ela lançou uma edição revisada, aí sim com base na HoME até o volume IX (ao todo são 12 volumes, e não foram publicados no Brasil até o momento).

Nude do livro :)

Nude do livro, com mapa da Primeira Era 🙂

Duvido que houvesse muita incoerência com a HoME, já que até o chato Christopher Tolkien deu créditos à autora quando ela percebeu uma inconsistência geográfica entre O Senhor dos Anéis e O Hobbit. Ela ficou conhecida como especialista por criar atlas de mundos de fantasia, como dos Cavaleiros de Pern, Dragonlance e Forgotten Healms.

Como consegui:  entrei numa livraria e dei de cara com ele. Eu não sabia que esse atlas existia, mas fiquei de queixo caído quando folheei e vi os mapas. Dentro da livraria mesmo eu fiz uma pesquisa rápida no smartphone para saber se valia a pena e era confiável, descobri que sim, peguei e levei. Não resisti.

Nota: 10

Ficha: O Atlas da Terra-Média – Karen Wynn Fonstad
Tradução: Ronald Kyrmse
Editora: Martins Fontes
2a edição – 2013
Tamanho: 23 cm x 27cm (sim, ele é grande!)

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