Retrospectiva literária 2018

Retrospectiva literária 2018

Nada melhor do que iniciar o ano com uma retrospectiva das minhas leituras de 2018, certo? Eu sei que estou meio atrasada, mas andei desanimada e agora começa o ano. Feliz 2019 a todos e todas, e muitas leituras lindas para vocês. Confesso que li pouco em 2018… apenas 16 livros,  sendo que alguns foram teóricos por causa da Pós. Alguns eu demorei uma eternidade para ler, já outros eu devorei enquanto não via o final. A maioria dos autores foi a primeira vez que os li. Vamos ver se conhecem alguns desses títulos?

A Casa dos Espíritos – Isabel Allende (La casa de los espíritus)

O livro é um drama familiar que conta a história do século XX na América Latina, com suas guerras, golpes e revoluções sob o ponto de vista de três gerações de mulheres. A política é apenas o pano de fundo. A Clara, primeira dessas mulheres, é médium, vê e fala com espíritos, daí o nome do livro. Ela também é capaz de prever o futuro. Casa-se com Esteban Trueba, um homem horrível, ganancioso e autoritário. Eles têm três filhos: Blanca (a segunda geração), e os gêmeos Jaime e Nicolás. E Blanca, depois, dará à luz Alba, a terceira geração da família. 

Com o passar do tempo você vai percebendo as mudanças na sociedade, como a questão da mulher: a geração de Clara foi criada para ser esposa, mãe e do lar, já a geração de Alba tem oportunidade de estudar numa universidade e até entra no movimento estudantil. O enfrentamento do autoritarismo do patriarca da família, a violência contra a mulher aparecem o tempo todo. Outro ponto em que se vê evoluções sociais é na consciência de classes sociais, o movimento por melhores condições de trabalho, melhores salários, e até reforma agrária. Falando assim parece um livro totalmente político, mas não. Essas questões aparecem de forma bem diluídas no enredo. Meu preferido de 2018, com certeza. Foi o primeiro que li dela.

Insubmissas lágrimas de mulheres – Conceição Evaristo

Mais uma autora que não tinha lido antes. São contos com protagonistas mulheres fortes, geralmente em situação de risco social, como mulheres da periferia, que foram violentadas e abandonadas pelos parceiros ou homossexuais. É um livro meio pesado,comovente e emocionante. As histórias realmente fazem chorar. 

Fiquei um pouco chateada com a editora Malê. Por ser uma edição comemorativa de 70 anos da escritora, deveria haver cuidado, mas o sumário está todo errado, além da falta de revisão. Tem erros de digitação, palavras grudadas, vírgulas soltas, pontos no meio de frases. Achei desleixo.

Saga A Maldição do Tigre – Colleen Houck

Essa saga eu devorei. Eu comecei pelo prequel A Promessa do Tigre e acho que foi uma boa decisão. Tive uma visão totalmente diferente da personagem Yesubai lendo antes. Pelo que Ren e Kishan falam dela, era uma megera infantil e manipuladora. Na verdade, a coitada realmente estava apaixonada por Kishan, foi manipulada pelo pai e tentou reverter a situação em favor dos dois irmãos, mas essa história não teve final feliz. Achei até meio mal os dois a tratarem com desprezo, bem como a lembrança dela. 

Uma das coisas que mais gostei foram os traços da cultura hindu, as lendas, os deuses, os costumes. Até virei meio devota da deusa Durga depois disso hehe. Eu gostei muito de como a saga foi construída. Faltou apenas o 5º livro, O Sonho do Tigre, que saiu pouco depois que eu terminei de ler os 4 e o prequel. Mas não comprei ainda, nem ganhei, então vou deixar para depois esse último. Mesmo assim fico curiosa, porque não vi pontas soltas para a autora tentar consertar ou amarrar.  

Páginas que não li – Airton J. Marchi

Esse livro ganhei da Editora Tripous, aqui de Florianópolis, e tem uma história bem triste que se passa em meados de 1970 na serra catarinense. O enredo é centrado na família de Pedro Kobis, homem pobre e analfabeto, que se casa com Maria, uma empregada doméstica. Devido a complicações em uma gravidez, Maria fica cega e dá à luz uma menina surda. O livro conta as dificuldades dessa família para sobreviver no ambiente rural de extrema pobreza. Eu fiz a resenha dele no ano passado, logo depois de ler. Eu sempre elogio as edições da Tripous porque realmente merecem. As capas são lindas, o trabalho com as cores, as ilustrações. 

Um Amor Incômodo – Elena Ferrante (L’amore molesto)

O livro conta os passos de Delia após a morte de sua mãe, Amalia. Em meio a ações estranhas e lembranças confusas da infância, ela reencontra o pai, de quem a mãe havia se separado há anos e quem não o via há muito tempo, reencontra Caserta, um homem que era supostamente amante de sua mãe e também o filho dele, com quem havia passado parte da infância. Memórias misturadas, traumas de infância, projeções na mãe e no amigo da família, algumas passagens eu fiquei até em dúvida se ela tava imaginando ou se estavam acontecendo. 

Os Ferrante lovers que me desculpem, mas não achei nada genial. Dizem que não é dos melhores dela, por ter sido o primeiro. Achei bem confuso, e alguns amigos de skoob que leram também acharam isso. Fiquei com receio de ter sido por conta do idioma, pois li o original em italiano (falo italiano), mas depois percebi que não, todos haviam entendido o mesmo que eu. Foi o primeiro que li dela também.

Outros livros que li em 2018 que merecem uma menção no post são: 

  • O Cavaleiro Negro, do Davi Paiva, uma história de fantasia com bastante referência da cultura geek – e cuja resenha você pode ler aqui neste post
  • O clássico O Mágico de Oz, do L. Frank Baun
  • E mais um clássico Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, do Howard Pyle. 
Gostou? Comapartilhe 🙂
Share on Facebook
Facebook
0Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Pin on Pinterest
Pinterest
0Email this to someone
email