Sobre retrospectivas literárias e metas de leitura

Sobre retrospectivas literárias e metas de leitura

Em começo de ano sempre vem aquele post de retrospectiva literária dos blogs de literatura e eu tô em séria dúvida sobre o que falar dessa vez. Minha meta de leitura tinha cerca de 30 livros no começo de 2019 e acabou com 36 – porque sempre entram outros no meio – e eu não li nem metade. A verdade é que é inevitável se comparar com a galera que lê 50 ou 100 livros durante o ano e eu fico me sentindo miserável. Ainda mais tendo um blog de literatura.

Às vezes tenho a impressão de que existe uma competição velada pra ver quem lê mais. E eu tô sempre perdendo, o que me faz sentir péssima. Se eu lesse mais não julgaria quem lê pouco, mas me orgulharia da métrica – porque muitas vezes é só pra bater uma meta pessoal mesmo, e não pra esfregar na cara dos outros o quanto você é fodão e leu um monte. É claro que cabe a velha máxima de qualidade > quantidade, e eu prefiro estar confortável pra poder me concentrar na leitura, ao invés de ler meia página com pressa e ter que parar porque preciso ir fazer outra coisa. Ainda assim, é difícil não se comparar com gente tão produtiva. Em 2017 eu li 26 livros (o auge!), em 2018 li 16, uma queda um tanto drástica.

Pilhas de livros lidos em 2019, óculos, bloco de papel e lápis.

E já que esse é um período de reflexão e de se organizar, eu fiquei pensando: o que me faz ler cada vez menos? Eu posso culpar o cansaço que me faz ler cinco páginas antes de dormir e começar a cair em cima do livro mesmo que sejam dez da noite. Ou posso dizer que a culpa é do uso excessivo de redes sociais que roubam um tempo absurdo, meu trabalho, a pós que concluí há pouco e tomava certo tempo, o fato de pegar pouco ônibus (vou trabalhar a pé), posso culpar a Netflix ou minha vida social, e até as escolhas erradas de leituras que empacaram e demorei um mês e meio ou dois pra concluir. A real é que ler muitas vezes não é uma prioridade e tá tudo bem.

A minha colega de instagram literário, a Jéssica Alves, do Diva Literária, também fez uma reflexão recente sobre isso. Ela tinha parceria com editoras e resolveu deixá-las de lado para focar na graduação (ela faz Engenharia) e em leituras que ela realmente tenha interesse. Como eu disse, as obrigações da vida aparecem e fica mais difícil ler com tanta coisa acontecendo. E também qualidade > quantidade. O que adianta ler um monte de coisas que não nos interessam, só pra aumentar o número de páginas lidas ou por conta de parcerias que nos prendem?

Leve retrospectiva

Alguns títulos eu levei mais tempo pra concluir, outros eu abandonei pela metade e provavelmente vou recomeçar ou retomar em outro momento:

  • O amante japonês, da Isabel Allende (levei quase dois meses pra terminar)
  • Tia Julia e o Escrevinhador, do Mario Vargas Llosa (demorei um mês e meio)
  • J.R.R. Tolkien – Uma Biografia, do Humphrey Carpenter (levei um mês pra concluir. Eu queria ver o filme que fizeram sobre a vida dele, mas acabei não vendo até hoje)
  • O Mago – biografia do Paulo Coelho, escrita pelo Fernando Morais (empaquei com umas cem páginas lidas em mais de um mês e acabei abandonando)

Em compensação teve outros que li super rápido:

  • Os filhos de Anansi, do Neil Gaiman (li em cinco dias)
  • SOS Fui traída, da Fernanda Friedrick Jhones (li em três dias)
  • Lembra de mim? , da Sophie Kinsella (li em 4 dias, e ainda por cima em inglês!)

Mas o que explica o blog abandonado?

E se eu tive pouco tempo pra ler, que dirá produzir conteúdo pro blog… Eu raramente publico resenhas de livros, o meu negócio mesmo são os eventos literários, entrevistas, lançamentos de autores desconhecidos, coisas assim, então ler pouco não é exatamente um empecilho. Acontece que muitas vezes eu fiquei tão esgotada que a última coisa que eu queria era produzir mais conteúdo pós-expediente, pelo simples fato de que eu já trabalho com texto, marketing e blogs o dia inteiro. E isso, sim, é um problema pra minha organização.

O que eu preciso é tentar achar um equilíbrio. Como? Vish, só tentando coisas diferentes pra descobrir, talvez criar uma rotina, dias e horários fixos para tais tarefas, um planejamento mesmo… e disciplina pra tentar cumprir razoavelmente. E vocês, estabelecem metas, conseguem cumpri-las ou se sentem fracassados? #kkkkcry

Gostou? Comapartilhe 🙂
Share on Facebook
Facebook
0Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Pin on Pinterest
Pinterest
0Email this to someone
email